Ser pobre é ser desprendido; e quanto mais um coração é desprendido, mais nele Deus habita e se faz presente
“Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus!” (Lucas 6,20).
“Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus!” (Lucas 6,20).
Estamos vendo, em Lucas, as bem-aventuranças de Jesus. Ele está exaltando os pobres, os que têm fome, que choram, são odiados, perseguidos e insultados.
Quando olhamos para um mundo em que vivemos, vemos que a grande parcela da humanidade passa por essas realidades exaltadas por Jesus. Enquanto
esses – pobres, perseguidos, marginalizados, sofridos e discriminados
–, de fato, são deixados à margem, no coração de Jesus eles assumem um
lugar especial. Quando passamos por situações de
penúrias na vida, quando estamos tristes, vivendo aflições, vivendo
aquela pobreza dentro de nós, a indigência por não termos as coisas,
sentimo-nos esquecidos por Deus. Mas, na realidade, é o contrário,
porque esses são os mais lembrados e queridos, ocupam um lugar especial
no coração de Deus.
Você talvez se pergunte: “Por que, no
mundo em que vivemos, algumas pessoas têm bens demais e outras de
menos?”. Deus não queria que fosse assim, mas já que as conjunturas do
mundo, as realidades sociais e econômicas, e
tantos outros fatores levaram o mundo a ser assim, a lógica é que
aqueles que têm, cuidem dos que não têm; não para fazer favor, mas sim
para fazer justiça. A lógica é que aqueles que estão felizes não
deixem de consolar e cuidar daqueles que choram; a lógica é que quem
passa por um período bem, com saúde, cuide daqueles que não têm saúde.
No entanto, há um fator muito grave em meio a tudo isso: o egoísmo e a
ganância humana.
Primeiro, o egoísmo, pois quem tem [bens, dinheiro…] só quer saber de
ter mais, e é incapaz de repartir aquilo com os que têm menos. O
egoísmo nos leva a cuidar só das nossas coisas e dos nossos interesses.
Quem tem um celeiro quer que ele cresça, mas não aprende a dividi-lo
nem ensina os outros a fazer celeiros também. Deixamos de ser felizes e
bem-aventurados, porque a ganância e o egoísmo simplesmente tiram a paz
verdadeira do coração!
Ser pobre não é viver a indigência ou não ter nada neste mundo. Ser pobre é ser desprendido; e quanto mais um coração é desprendido, mais nele Deus habita e se faz presente. Isso não
quer dizer que Deus exclui quem tem; na verdade, quem tem mais é que O
exclui, prefere colocar outras coisas ao coração d’Ele.
Às vezes, você pode ter bastante coisa, ter enriquecido
com seu trabalho, mas sabe colocar suas riquezas no lugar delas, e não
permite que nenhuma riqueza tire o maior tesouro de sua vida, que é
Deus.
Há outros que não têm nada, mas vivem um desassossego,
uma cobiça tão grande, que o coração vive sempre na inquietude e não se
deixa enriquecer nem se encher por essa riqueza maior, que é a graça de
Deus.
Um coração pobre é mais feliz, mas não pela pobreza, e sim pela riqueza maior que é Deus, Nosso Senhor!
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
https://www.facebook.com/rogeraraujo.cn
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
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