Seja misericordioso com o outro, como Deus é misericordioso conosco
“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso” (Lucas 6, 36).
“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso” (Lucas 6, 36).
Se tem um adjetivo que expressa quem é Deus, que O
qualifica de forma tão esplêndida, este adjetivo se chama:
misericordioso. Como Deus é misericordioso! É um Deus que tem um coração
que compenetra todas as nossas misérias sem julgar, sem condenar, mas
transformando as misérias do coração humano.
Ninguém mais do que Deus, conhece o quão miserável é o nosso coração!
Nem mesmo nós nos conhecemos, passamos por cima, ignoramos nossas
misérias e olhamos para a miséria do outro. Mas, uma vez, que não
olhamos para a miséria do outro com o coração transfigurado, olhamos com
os nossos julgamentos, com as nossas mágoas e ressentimentos, pisamos
na miséria do outro e vivemos todas essas situações de discórdia, de
julgamentos e assim por diante.
Por isso, Jesus está dizendo: “Sede misericordiosos!”.
De que maneira? Do mesmo jeito que é o nosso Pai! O jeito que nosso Pai
nos olha, cuida de nós, com extrema misericórdia, com uma misericórdia
que é infinita e sem tamanho.
Quando paramos para meditar, para contemplar a misericórdia de Deus, o
nosso coração é transfigurado, rejuvenescido, renovado, restabelecido.
Porque a misericórdia de Deus cura todas as coisas, ela não permite que a
provação tome conta de nós por um complexo de inferioridade, pelo
sentimento do erro, não permite que o sentimento da culpa prevaleça em
nós. A misericórdia de Deus nos levanta, coloca-nos para cima!
Só quem experimenta, com intensidade, a misericórdia divina é que
pode agir com misericórdia em relação ao outro! Seja misericordioso com o
outro, como Deus é misericordioso conosco.
Qual é o primeiro sintoma que percebemos na pessoa que
tem misericórdia no coração? Ela não julga os outros. “Não julgueis e
não sereis julgados”. Julgamos demais as pessoas, julgamos da forma mais
mundana e satânica que existe, porque, julgamos pelas aparências,
julgamos sem conhecer, julgamos pelo ouvir falar, julgamos por aquilo
que o mundo joga em cima de nós e fazemos verdadeiros tribunais para
acusar, e da acusação partimos para a condenação.
Que tristeza o mundo estar do jeito em que está, faltam pessoas
misericordiosas no mundo em que vivemos, inclusive, no mundo espiritual e
eclesiástico do mundo da Igreja, nos espaços que estamos. Fazemos de
nossas igrejas, de nossas reuniões verdadeiros tribunais de Caifás para
julgar as atitudes das pessoas. Quando não estamos fazendo isso com
aquele que é igual a nós, que gosta de falar da vida dos outros, fazemos
em nossa cabeça, em nossa fantasia e assim por diante.
O mundo, hoje, não precisa de julgamentos mundanos, o
mundo precisa da misericórdia! Deixe-se alcançar pela misericórdia
divina e aja com muita misericórdia em relação ao próximo.
Se nós queremos ver o outro mudado, cuidado, cuide dos outros como
somos cuidados por Deus, com extrema misericórdia. A misericórdia não
tem limite, não tem tamanho; ela é do tamanho de Deus e no limite d’Ele.
Por isso, usemos a misericórdia como o remédio para as nossas relações
tão machucadas e feridas.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. https://www.facebook.com/pe.rogeraraujo/?fref=ts
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