Homilia 24º Domingo Comum (11.09.16)
Padre Luiz Carlos de Oliveira
Missionário Redentorista
Missionário Redentorista
“A misericórdia refaz a vida!
Encontrei misericórdia
A liturgia da Palavra deste domingo é uma síntese da condição humana
marcada pela fragilidade e pelo pecado como vemos na parábola da ovelha
extraviada, da moeda perdida, do povo pecador que faz um bezerro de ouro
e de um apóstolo que confessa sua antiga situação de pecador. Por outro
lado, é uma demonstração estupenda de um Deus misericordioso que
acolhe, perdoa e restaura. Este é o retrato do Pai que Jesus apresenta
nesta parábola. Assim, Ele agiu e ensinou a agir. Paulo, em sua
trajetória espiritual, faz a passagem de uma fé que o levava a perseguir
os que acreditavam em Jesus para uma experiência profunda da
misericórdia de Deus. As leituras deste domingo então centradas no
binômio pecado do homem e misericórdia de Deus. O povo no deserto fez um
bezerro de ouro. Deus se irritou e quis destruí-lo. Moisés lembrou a
Deus seu compromisso de aliança. Deus perdoou. A ovelha que se extraviou
é procurada com carinho. E, depois de encontrada, é carregada nos
ombros. Jesus centraliza todo seu ensinamento na misericórdia porque ela
é a atitude do Pai para com os que se arrependem e voltam.
Misericórdia é atitude de vida
A parábola de Jesus da ovelha perdida e reencontrada é uma resposta
às críticas dos fariseus que acusavam Jesus de se misturar com os
pecadores fazendo-se igual a eles. Tomar a refeição juntos é se igualar.
Jesus então responde com a parábola. Como os fariseus, nossas
comunidades correm o risco de se organizarem só para os que são bons e
já “estão salvos”. Tudo o que fazemos é para os que já têm tudo. É o
momento, e Papa Francisco insiste nesse ponto, de sairmos ao encontro
dos necessitados mostrando através de nossas atitudes, a misericórdia de
Deus. As exigências que fazemos ao povo simples e aos pecadores
(difícil saber quem é o pecador, se eles ou nós), demonstram claramente
que não entendemos a mensagem de Jesus. Deste modo a Igreja perde o
sentido de sua missão. Padres, bispos e pessoas de responsabilidade na
comunidade que não têm misericórdia, devem se lembrar que eles também
precisam dela, pois todos somos pecadores e Deus é misericordioso para
com todos. É bom que as pessoas sintam através, das pessoas da Igreja, a
misericórdia que ela tem como missão.
Buscando as ovelhas
Mais ainda: Jesus não só acolhe, como vai procurar as ovelhas
perdidas pelos penhascos do mal. A misericórdia não é só um sentimento,
mas uma atitude de vida e um modo de Deus agir. Jesus diz: “Eu vim
buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19,10). Temos a experiência de
uma religião que recebe os que vêm e não vamos atrás dos que não vêm.
Isso deixou as massas simples e pobres no abandono e vítimas de
espertos. A religião se concentrou nos centros da cidade, que na verdade
não têm uma população religiosa. Por estarem bem na vida, não precisam
de Deus. Pior ainda quando querem dominar a instituição religiosa a seu
favor. É o momento de buscar não uma ovelhinha perdida, mas rebanhos
inteiros. As igrejas se esvaziam. É preciso mudar os métodos pastorais
para ir ao encontro e a pôr-se a serviços dessas populações. Jesus era
criticado por misturar-se com os pecadores. Essa busca dos pobres e dos
fragilizados pelo pecado deve envolver toda a comunidade, não somente os
“padres”. Esses também devem fazer essa opção, e mais que os outros.
Toda a comunidade é responsável para que a missão de Jesus chegue a
todos. Isso é a santidade que vai nos salvar.
Leituras: Êxodo 32,7-11.13-14; Salmo 50; 1Timóteo 1,12-17; Lucas 15,1-32
Ficha nº 1578
1. Jesus se mistura com os pecadores para levar-lhes a misericórdia
do Pai. A Palavra nos mostra a fragilidade e a misericórdia de Deus para
com os pecadores.
2. Misericórdia é uma atitude. É fundamental acolher os necessitados. Temos rebanhos inteiros perdidos.
3. Jesus não só acolhe como vai também atrás das ovelhas perdidas. Isso deve ser um método pastoral.
Sujando-se para limpar
Essa é a atitude de Jesus quando é criticado por se misturar com os
pecadores e fazer refeição com eles. Fazer refeição significa fazer-se
igual. Jesus explica que essa é a atitude de Deus Pai ao enviá-lo ao
mundo. Não veio para cuidar de ovelhas gordas e sadias, mas para buscar
as perdidas.
Em sua encarnação Ele se misturou com nossa humanidade falha e toda
lambuzada pelos males que carregamos. Isso não o fez menor. Ele veio
buscar os pecadores. Conta então a parábola da ovelha perdida. Uma
ovelha perdida está totalmente perdida, pois é um animal frágil e
sozinho não se resolve. É como uma moeda de prata, ou dizemos, uma jóia.
Se não vamos atrás, é certo que ela não vai nos procurar. É preciso ir
buscar o que estava perdido. Os perdidos somos nós. Ele nos procurou de
todos os modos.
O povo de Deus no deserto fez um bezerro de ouro porque Moisés já
havia tempo que subira a montanha para falar com Deus e não voltava. O
povo se perdeu na idolatria. Moisés intercede pelo povo para que não
seja condenado nem destruído.
Paulo não era um distante de Deus. Não era malvado, mas perseguia a
Igreja de Deus. Não queria saber de Jesus. E Jesus foi atrás dele. A
graça misericordiosa de Deus sempre é maior.
Essa parábola da ovelha perdida é uma lição para nós. O método
pastoral das comunidades e das paróquias é sempre cuidar das gordinhas e
deixar ao lobo as que se extraviaram. O que se faz pelos “pecadores”,
pelos “pobres”? Não nos misturamos. Não sujamos as mãos pelos
necessitados. Por isso tanta gente perdeu o rumo da Igreja.
Fonte - http://www.a12.com/santuario-nacional/santuario-virtual/liturgia-diaria/11/09/2016

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