Homilia do 23º Domingo Comum (04.09.16)
Pe. Luiz Carlos de OliveiraMissionário Redentorista
Discípulo-missionário do Senhor!”
Quando perder significa ganhar
A Palavra de Deus desse domingo nos apresenta Jesus convidando a
segui-Lo. Para entender sua proposta, levamos em conta nossa
fragilidade. Com a sabedoria de Deus seus desígnios se tornam possíveis.
É o que podemos ver em Paulo que se relaciona com seus amigos na
simplicidade e no respeito, mesmo nas situações que possam parecer
complicadas. Ser discípulo de Jesus tem exigências que podem nos
assustar: “Se alguém vem a mim, mas não odeia seu pai e sua mãe, sua
mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da própria vida,
não pode ser meu discípulo” (Jo 14,26). A exigência é total. Não que
Deus cobre caro de nós. Mas exige exclusividade. Para compreender estas
palavras não podemos partir de nossos sentimentos, mas da vida de Jesus.
Quando ensina que devemos deixar pai e mãe, não diz oposição, mas
preferência do bem maior. Essa proposta de Jesus mal entendida significa
desobediência ao maior mandamento do amor: “Amar pai e mãe”.
Desapegar-se significa dar o devido valor ao fundamental, deixando de
lado apegos inúteis e secundários. O tudo que deixamos será mais útil
sob a luz de desapego. Quem segue Jesus como o primeiro e ponto de
partida para tudo na vida, vai amar muito mais os pais, os irmãos, as
belezas da vida e os prazeres que a vida oferece. Jesus oferece duas
parábolas para dizer que devemos pensar bem antes de assumir a decisão
por Ele, pois do contrário, depois, vai ver que não deu certo. Por isso a
sabedoria nos sacia com seu amor e nos ensina a escolher.
Quem não carrega sua cruz
Temos outro ponto de conflito que é a cruz. Não se trata de escolher a
dor, o peso da penitência e a falta de liberdade. Cruz não é opressão,
mas chave da plena liberdade como rezamos na oração do domingo de hoje:
“... Concedei aos que crêem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança
eterna”. Não seguimos Jesus porque sofre na dor, mas porque se entrega
por amor. Vemos em Jesus uma pessoa sempre feliz, alegre e cheio de
vitalidade mesmo em meio aos sofrimentos. Jesus não quer o sofrimento de
ninguém, tanto que nos promete a ressurreição e a vida eterna. O
conhecimento do plano de Deus para nós é seguir a Cristo em seu caminho
de Paixão para chegar à Ressurreição, leva-nos a rezar: “Ensina-nos a
contar os nossos dias e dai ao nosso coração a sabedoria... saciai-nos
de manhã com vosso amor e exultaremos de alegria o dia todo” (Sl 89). A
vida cristã é um contínuo aprendizado a viver como Cristo viveu
caminhado decididamente para cumprir o desígnio do Pai em Jerusalém.
O corpo pesa a alma
Somos frágeis e pecadores. Nem sempre acertamos. Mas a Sabedoria nos
fortalece e nos orienta. Não podemos ter medo da fragilidade. Somos
barro que nas mãos de Deus toma forma. É bom ser frágil, pois o orgulho
não nos pega. Paulo mostra essa simplicidade quando pede a Filêmon que
seu escravo fugido e, agora convertido a Cristo, fique ajudando-o na
pregação. Ele poderia impor, mas preferiu agir com a sabedoria de Deus.
Desse modo o escravo é irmão e está a serviço de Paulo que está na
prisão. Quando nos desapegamos do que escraviza o corpo e a alma,
vivemos a plena liberdade de crescer de corpo e alma. Se tivermos
dificuldades no conhecimento e seguimento de Jesus é por que deixamos
que o corruptível tome conta de nossa vida. Em cada Eucaristia podemos
ouvir a Palavra para orientar nossa inteligência e nos estimular ao
seguimento de Jesus.
Leituras: Sabedoria 9,13-18; Salmo 89 / Filemon 9b-10.12-17; Lucas 14,25-33
Ficha nº 1576
1. Jesus convida a segui-lo exigindo totalidade, sem outros apegos. O
termo odiar ou desapegar-se significa dar maior valor a seu seguimento.
2. A cruz que Jesus oferece não é opressão, mas amor, liberdade e herança eterna.
3. Somos frágeis e pecadores. Nem sempre acertamos. Mas a Sabedoria nos fortalece e nos orienta.
Fazendo a conta certa
Temos medo das exigências. Achamos que elas nos diminuem e nos
oprimem. Um atleta tem horas de treinamento todos os dias. Para fazer
uma recuperação de saúde é preciso um regime que sacrifica. Mas dá
resultado. Quem quer emagrecer sabe o preço.
O seguimento de Jesus não é uma brincadeira espiritual. É um esforço, um empenho.
O pulo certo no seguimento de Jesus não é fazer o que a gente quer
para nosso bem estar, mas assumir a proposta de Jesus para ter um bem
maior. Seguir Jesus é uma ousadia de buscar sempre o modo viver do
Mestre. É deixar tudo para ter tudo. Ser seu discípulo compreende
acolher sua orientação fundamental: Quem quiser ser seu discípulo vai
ter que fazer três coisas: desapegar-se de tudo, até da própria vida,
carregar a cruz e caminhar atrás de Jesus.
Desse modo poderá ser discípulo. Discípulo é aquele que faz o que o mestre faz.
Somos frágeis, limitados e de pouco conhecimento. Somos pó, nossos
dias passam como o sono da manhã e como a erva. Por isso é preciso
contar bem os dias, como rezamos, e aprender a sabedoria. Seremos
saciados com o amor.
Paulo nos dá um exemplo de seguimento. É o grande apóstolo, mas se
faz pequeno ao pedir que o escravo fugido Onésimo, possa ficar ao seu
serviço. Não seria um escravo, mas um irmão querido.
O evangelho nos diz ainda que, se não tivermos esses sentimentos,
seremos insensatos como o rei que não examina sua tropa para ver se
poderá enfrentar o inimigo, ou como o homem que começou a construir uma
torre e não deu conta de acabar.
Se não renunciarmos tudo o que temos, não podemos ser discípulos.
Fonte - http://www.a12.com/santuario-nacional/santuario-virtual/liturgia-diaria/04/09/2016

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