Homilia do 12º Domingo Comum
Padre Luiz Carlos de Oliveira
Missionário Redentorista
“A leveza da Cruz”
Fonte acessível a todos
Depois de refletirmos sobre o pecado e a
graça, somos evangelizados a conhecer o caminho de Jesus através do
convite ao seguimento. A Paixão de Cristo, com toda a razão, foi sempre
vista como momento de maior dor. A dor sofrida em sua Paixão e o caminho
doloroso que percorreu torna-se um convite a todos. O profeta Zacarias
nos oferece uma reflexão sobre esses acontecimentos: “Derramarei sobre a
casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de graça e
de oração” (Zc 12,10). Mesmo no meio dos sofrimentos e do pranto pelas
desgraças sofridas, “haverá uma fonte acessível à casa de Davi e os
habitantes de Jerusalém par ablução e purificação”.
A Paixão de Cristo a que somos chamados a
assumir como nossa é fonte de graça, de vida, de purificação e de culto
a Deus pela oração. A fé, como explica Lucas em 9,18-24, nos coloca em
atitude de seguimento de Jesus. Só segue Jesus quem crê que Ele é o
Cristo (Lc 9,20). Crer significa seguir na rejeição e na Ressurreição.
Seguir significa renunciar a si mesmo. A renúncia a si mesmo não é
destruição ou desmerecimento da pessoa humana, mas justamente a maior
conquista de si mesmo por estar completo e poder ir além de si mesmo.
Desse modo se pode seguir Jesus com força.
Não se perde a vida, mas se ganha. Tomar
a cruz não é entrar em um processo de sofrimento, e sim encontrar a
abertura para a vida plena. Os homens e mulheres que conquistaram o
mundo e fizeram um caminho para outros, foram justamente os quem mais se
perderam, por isso, se ganharam. Beberam das fontes abertas no lado de
Jesus e se transformaram em distribuidores dessa água de vida e
purificação. A vida só cresce quando damos vida.
Sede de Deus
A profissão de fé de Pedro em Jesus não
se esgota em uma frase, mas é um processo de vida que se desenvolve. É
fundamental o crescimento espiritual expresso pelo salmo 62 quando nos
traz o que acontece em quem escolhe Jesus: “Minha alma tem sede de vós,
como a terra sedenta, ó meu Deus”. A sede de Deus se expressa na busca
apaixonada de tudo que se refere a Cristo. A busca de Jesus não é a
procura de um pronto socorro para todas as necessidades.
É sede da Pessoa de Jesus e da vida Ele
que oferece. Como sem água perecemos, sem Ele morremos. O primeiro sinal
de morte é não precisar dessa água. O despojamento de tudo vence o
obstáculo para nos revestimos Dele. O despojamento se torna um
enriquecimento, pois quando mais vazios de nós mesmos, mais podemos nos
“encher” de Cristo a ponto de termos a força de tomar sua cruz, perder a
vida para alcançar o Tudo. Por Ele vale a pena toda entrega.
Revestir-se de Cristo
Revestir-se não com um manto que
simbolize Cristo, mas revestir-se interiormente, como Paulo explica que
esse revestimento se faz a partir do Batismo. Ele nos mergulha na sua
vida. Por isso a busca de Deus não é só elevar-se espiritualmente. É uma
opção de vida e não uma atividade espiritual.
Viver em Cristo requer a fé, mas também a
atitude de vida tomando sua cruz, sabendo perder tudo por Ele para
tê-Lo. A espiritualidade de fazer atos bons e ter uma fachada de
santidade não preenche o que pede Jesus. Ele nos quer por inteiro. A
fragilidade da fé está no fato de não termos entendido ainda a proposta
de Jesus. Cuidamos bem das aparências quando nosso interior ainda não se
converteu.
Leituras: Zacarias 12,1-11;131;Salmo 62; Gálatas 3,26-29;Lucas 9,18-24.
Ficha nº 1554 – Homilia do 12º Domingo Comum (19.06.16)
Zacarias promete uma fonte aberta aos
habitantes de Jerusalém. Na Paixão de Cristo encontramos essa fonte de
ablução e purificação. A fé nos põe no seguimento de Jesus. A renúncia
implica também acolher a ressurreição.
Profissão de fé é um processo de vida
que se desenvolve. Ela se fundamenta na sede de Deus. Revestir-se de
Cristo acontece com o despojamento de todo obstáculo.
Revestir-se interiormente é mergulhar na Vida de Cristo. Espiritualidade não é fachada. É deixar as aparências e converter-se.
Trocando em miúdos
Diante da profissão de fé dos apóstolos,
Jesus descreve para eles o que significa ter fé. Jesus aceita a adesão
dos discípulos, mas explica que crer significa seguir Jesus na sua
condição máxima que é sua paixão e morte. Mas garante a ressurreição.
Crer significa tomar a cruz e seguir:
“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e
siga-me” (Lc 9, 23). A renúncia é o fundamento do seguimento. É preciso
uma mudança radical de vida para que o seguimento exista. É o que se vai
chamar de novo nascimento, nova criatura, vida do alto. Nada mais é que
sair de si e deixar Jesus entrar em nossa vida.
Jesus explica que vale a pena deixar
tudo por Ele. E acrescenta: “Quem quiser salvar sua vida vai perdê-la; e
quem perder sua vida por causa de mim, esse a salvará (24). Vai ser
muito mais humano, quem deixa se conduzir por Jesus.
Em Jesus se “abre uma fonte acessível à
casa de Davi e aos habitantes de Jerusalém para ablução e purificação”.
Esta fonte está localizada no coração de Jesus que derramou sangue e
água.
O salmo 62 nos traz o que acontece com
quem escolhe Jesus: “Minha alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó
meu Deus”. A busca de Deus não é só elevar-se através de Jesus. Esta é a
condição dos filhos de Deus, como nos escreve Paulo, revestidos de
Cristo.
Fonte - http://www.a12.com/santuario-nacional/santuario-virtual/liturgia-diaria/19/06/2016

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.