É Pedro quem interroga o Mestre sobre quantas vezes ele deveria
perdoar o seu irmão se este viesse pecar contra ele. Uma vez, duas
vezes, três vezes, dez vezes… Porque nós temos limite para perdoar
quando alguém falha conosco, quando alguém, de alguma forma, nos
contraria.
Nós, muitas vezes, não conseguimos perdoar, então falamos: “Chega!
Pronto, não aguento mais! Acabou”. Fico pensando se Deus nos tratasse da
mesma forma. Fico pensando se Ele colocasse um limite para nos perdoar
por todas as vezes que falhamos, negligenciamos, ainda que prometamos:
“Senhor, eu não vou mais pecar!”. Saímos, muitas vezes, do
confessionário com a alma limpa, purificada, com o santo propósito de
não errar mais. Mas, por fraqueza, por falta de esforço, muitas vezes
voltamos a cair; e a misericórdia de Deus está lá para nos lavar,
purificar e perdoar, colocando-nos para cima dizendo: “Vai, recomeça,
tenta de novo, não desanime! Sou eu quem te lavo, Sou eu quem te
purifico, sou eu quem te renovo!”.
Muitas vezes, quando o outro erra com a gente, quando “pisa na bola”,
dizemos: “Não, chega, eu não posso mais!”. Desculpa, mas nós estamos
agindo como o servo do Evangelho de hoje, porque ele alcançou todo o
perdão do seu patrão e não conseguiu oferecer o perdão para aquele que
lhe devia muito pouco, muito menos em relação àquilo que o patrão lhe
perdoou. Deus não põe limites na Sua misericórdia, no Seu perdão.
Nós, algumas vezes, agimos com crueldade quando o outro erra conosco.
É verdade que perdoar os erros nem sempre é fácil, mas nos coloquemos
no lugar dele, coloquemos no nosso próprio lugar, da maneira como nos
relacionamos com Deus e como o perdão d’Ele chega até nós. O Senhor não
põe limites para o Seu perdão, para Sua misericórdia.
Precisamos aprender a ser misericordiosos como o Senhor é
misericordioso conosco. Temos de perdoar uma, duas, três, tantas vezes
forem necessárias. O perdão não é para o outro, mas para nosso próprio
coração, que não ficará fechado, aniquilado, magoado e ressentido.
O perdão faz bem, em primeiro lugar, para cada um de nós. Pode ser
que não consigamos perdoar imediatamente quando o outro falhar ou pecar
contra nós, mas precisamos ter a disposição de perdoar. Podemos
reconsiderar nosso relacionamento, rever a forma como tratamos nosso
irmão, mas jamais negar-lhe o perdão, porque Deus nunca nos nega o
perdão d’Ele.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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