Após 23 anos, milhares de fiéis retornam à orla lagunar, no Vergel do Lago, mais precisamente ao Papódromo, para celebrar a canonização do papa João Paulo II, que esteve em Maceió e abençoou uma multidão. Mais de 10 mil católicos preencheram os espaços do local, que receberá o nome de Santuário da Divina Misericórdia São João Paulo II e Irmã Dulce, pertencente, agora, à Arquidiocese. Na ocasião, o arcebispo Dom Antônio Muniz anunciou a construção do monumento religioso e pediu aos fiéis que descartem a denominação “Papódromo”. A missa em honra à canonização de João Paulo II teve início às 16h45 deste domingo (27) e já era grande o número de fiéis. Muitos acompanharam a trajetória daquele que construiu uma igreja mais samaritana e missionária, e distribuiu paz, amor e caridade ao mundo. Repetindo o cenário ocorrido em 1991, quando o sumo pontífice caminhou pelas ruas do Vergel, católicos de diversas regiões da cidade e do estado se uniram e entoaram a canção “João de Deus”, segurando bandeiras brancas e pedindo a São João Paulo que interceda a Deus pelos alagoanos.
Durante a celebração eucarística, também chamada de Missa da Misericórdia, o arcebispo citou a importância de o Papódromo, monumento histórico e religioso, pertencer à Igreja, após vários anos de luta. Segundo ele, a Arquidiocese tentou - até o fim - a concessão do uso do terreno junto ao Estado.
“Antes, não podíamos fazer nada porque estávamos na terra dos outros. Edvaldo [arcebispo de Maceió à época] me confessou ter lutado muito para que nossa Igreja assumisse o Papódromo, mas, como assumir se não tínhamos outro nem prata para comandar a 'empresa'. Após algum tempo, conseguimos a concessão e, agora, o local pertence à Arquidiocese. Portanto, este espaço será revitalizado com a construção do Santuário João Paulo II e Irmã Dulce, e os recursos, provenientes de doações. Quero pedir, também, que não chamem mais de Papódromo, para não lembrar Sambódromo. É um ambiente santo”, salientou Dom Antônio.
Conforme o coordenador da Pastoral da Comunicação (Pascom), seminarista Luiz Antônio, o Santuário trará o nome do papa, considerado a perseverança da Igreja e o braço orante, e de Irmã Dulce, braço caritativo, com extrema atenção aos pobres. “Além dos momentos religiosos, o santuário contará com atividades sociais. Neste momento, o arcebispo confirma isso e não podemos dizer mais nada, ou seja, o número de pessoas já explica tudo. Quando João Paulo II esteve aqui, pediu que o local fosse usufruído em benefício dos excluídos e assim o será”, garantiu Luiz Antônio.
Próximo ao palco, Maria José Santos da Costa observava a multidão e agradecia a Deus. À reportagem, a paroquiana da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro disse ter se sentido encantada com o fiéis que se aglomeravam ao redor do Papódromo. “É um momento único e devemos estar aqui para assistir à missa e pedir a intercessão do papa, agora, São João Paulo II”.
Programação
A programação da grande festa da Igreja teve início às 06h, com uma missa reunindo os pobres na Igreja Virgem dos Pobres, a ser presidida por Dom Antônio. Às 07h30, o café seguido de uma caminhada até o Santuário da Divina Misericórdia João Paulo II e Irmã Dulce. A partir das 08h, acolhida e Terço da Misericórdia, e às 10h, pregação com o diácono Renan, da Comunidade Canção Nova.
Às 11h, houve Adoração ao Santíssimo Sacramento, com intervalo para o almoço. Às 13h30, louvor, às 14h, testemunhos e às 15h, Terço da Misericórdia. A partir das 16h, avisos do evento e, às 16h45, missa festiva da Misericórdia em honra da canonização, presidida pelo arcebispo e concelebrada pelos padres da Arquidiocese e convidados. Ao final da celebração, show da cantora Celina Borges.
Assista ao vídeo em que mostra fiéis reunidos antes de celebração
A visita de João Paulo II foi o maior acontecimento da história da Igreja em Alagoas, em 19 de outubro de 1991. Um dia anterior, o pontífice foi recebido com honra pelo senador Fernando Collor de Mello (PTB/AL), presidente da República à época, no Palácio do Planalto, em Brasília. Os curtos momentos em que o pontífice passou na capital foram marcados por simples gestos e sábias palavras. Neste domingo, João de Deus – como era conhecido – e João XXIII foram elevados à honra dos altares. Em entrevista concedida ao Jornal O Semeador, o arcebispo emérito de Maceió, Dom Edvaldo Amaral, relatou a visita do papa e a mobilização dos fiéis.
“Maceió foi escolhida por interferência direta do presidente da República à época, o hoje senador Fernando Collor. O Santo Padre foi recebido no Estádio Rei Pelé e seguiu, no papamóvel, abençoando a multidão que se aglomerava entre o estádio e o monumento religioso. A primeira parada foi na Igreja Virgem dos Pobres, diante do Santíssimo Sacramento, onde orou silenciosamente. Após este momento, ele entrou em uma das casas da favela e conversou com os moradores, partindo em direção ao Papódromo. Maravilha da graça divina, privilégio para todos, ricos e pobres, autoridades e povo simples. Um papa santo, o qual o povo canonizou nos seus funerais em Roma: Santo Logo!!! Para Maceió, uma bênção, uma graça e um acontecimento inesquecível”, salientou Dom Edvaldo.
Diante de um grupo de cardeais, o papa Francisco anunciou a canonização de Karol Wojtyla e Angelo Giuseppe Roncalli em setembro do ano passado. O primeiro foi papa entre 1978 e 2005 e o segundo, entre 1958 e 1963. João Paulo II, primeiro papa polonês da história, conservador e muito popular nos mais de 100 países aos quais levou a palavra da Igreja, será canonizado apenas nove anos depois de sua morte, um tempo recorde.
Bento XVI preferiu não levar em consideração o prazo obrigatório de cinco anos para abrir o processo de beatificação e canonização do antecessor, que foi beatificado em maio de 2011. Francisco inovou para canonizar João XXIII, sem esperar a atribuição de um milagre. João XXIII convocou o grande Concílio Vaticano II (1958-1963), que pretendia abrir a Igreja ao mundo. Sempre conservou a imagem de um pastor próximo do povo, simples e de bom humor, atitude parecida com a do papa atual.
A canonização conjunta dos papas mostra a intenção de Francisco de manter o equilíbrio entre duas figuras muito diferentes da Igreja, assim como a de evitar um grande culto à personalidade de João Paulo II.
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