Centenário da Arquidiocese de Maceió

domingo, 22 de dezembro de 2013

REZAR PELOS MORTOS

Muita gente me pergunta se podemos e devemos rezar pelos mortos, Tenho tentado explicar por que a Igreja católica reza pelos mortos e, hoje, resolvi escrever aqui alguns desses motivos, embora não possa expô-los todos devido à exiguidade do espaço a mim concedido nesta coluna. Vou ficar apenas com o que nos ensinam as Sagradas Escrituras.

Com efeito, o livro santo diz diz claramente que “há pecado para a morte e por esse não digo que orem” (1 Jo 5,16). São Paulo é categórico, quando escreve: “ O salário do pecado é a morte” (Rm 6, 23), isto é claro quando se trata de um pecado grave, mortal. Mas, S. João complementa a palavra de Paulo, quando diz: “e há pecado que não é para a morte” (I Jo 5,17). Tudo isso é muito claro e lógico.

Na verdade, todos nós somos pecadores, mas nem todo pecado que cometemos é tão grave a ponto de merecermos, por causa dele, a condenação eterna. Isto acontece mesmo entre nós, na vida de cada dia. Há coisas que dizemos ou fazemos contra alguém que é realmente muito grave, mas há outras que são passageiras, de momento, circunstanciais e que logo são esquecidas e perdoadas.

Assim, por aquelas pessoas, cujos pecados não foram para a morte, isto é, mortais, mas foram leves, veniais, simples falhas, até atos involuntários e também pelos que morrem de coração contrito e arrependidos, podemos e devemos rezar. Por isso, o livro dos Macabeus ordena a oração pelos mortos, quando diz: “É um santo e salutar pensamento este de orar pelos mortos” (2 Mac 12,42-45).

Jesus Cristo, várias vezes, nos esclarece sobre esse assunto. E quem ler as palavras do Mestre, deve entendê-las no contexto de seus ensinamentos. Em Mateus ele diz: “Concilia-te com teu adversário para não caíres na prisão, pois não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo” (Mt 5,25-26), e ainda: “Mas o pecado contra o Espírito Santo não terá perdão nem aqui nem no outro mundo” (Mt 12,32). Fica claro que há pecados que levam para a morte eterna, como os praticados contra o Espírito Santo, que são o fechamento total à graça divina e há pecados que são passíveis de pagamento até o último centavo. E esse pagamento é feito por nós, com as nossas orações e nossas penitências.

Vamos continuar a estudar e analisar as Escrituras até esclarecer bem a atitude e o ensinamento da Igreja católica. Por hoje paramos aqui, porque o espaço curto que me é concedido a isso me obriga.


 MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE
Doutor em Teologia

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.