Jesus,
certa feita, disse que não devíamos chamar ninguém de pai aqui na terra, – e
isto por uma razão muito simples: “Pai só o é Deus primeiro, a fonte da vida
originária, e os demais – todos os homens – são irmãos”. Desta reflexão surgem
duas conclusões de longo alcance. A primeira é que todos nós somos irmãos, logo
somos uma grande comunidade, que formamos a família da Trindade. E, como
irmãos, devemos viver como o Pai deseja e nos ensina, conforme já vimos ao
falar do amor ao próximo. A segunda conclusão é: se os homens não podem exercer
a paternidade no sentido mais profundo da palavra, podem-no de outra maneira,
isto é, como participantes da paternidade divina.
Na
verdade, todos os cristãos são chamados a exercerem uma paternidade “aberta ao
dom universal do Pai dos céus, que ama por Jesus” – todos
os homens, especialmente os mais pobres e os mais necessitados. Com efeito,
“pai ou mãe é aquele que sabe dar de si: gratuitamente oferece o que tem aos
outros, oferece até sua essência mais profunda, porque quer que surjam, se
desenvolvam outros seres livres, alegres, diferentes. Podemos afirmar que nos
tornamos mais pessoa à medida que vamos amadurecendo neste aspecto: tornamo-nos
donos da vida quando vamos dando nossa vida; oferecemo-la generosamente, a fim
de que os outros possam ser, superem seus problemas, realizem-se, desenvolvam-se
como humanos. Somente em intenso e exigente domínio pessoal podemos nos
realizar como pais-mães: vencemos assim nosso egoísmo e nos tornamos capazes de
entregar nossa existência, gratuitamente, sem procurar compensações. Nesta
perspectiva começamos a cumprir a grande palavra: ‘sede misericordiosos (pais)
como vosso Pai celestial é misericordioso’, cria, suscita e acompanha os
pequenos, fazendo que eles sejam”.
Nessa
ótica, os consagrados ao Reino, que, por amor,
decidiram viver uma vida celibatária, podem e devem realizar a paternidade
divina de uma maneira bela e nova, porque não está misturada com nenhum
resquício de amor próprio, de pura auto-realização: “Fizeram-se livres para
contribuir desse modo à formação da grande família humana e eclesial à qual
alude o evangelho ao dizer que Jesus e por Jesus podem encontrar o cem por um
daqueles que deixaram”. Desse modo, os consagrados são o reflexo mais perfeito
da paternidade de Deus. Esta é, sem dúvida, uma visão bela e fascinante do
celibato dos que se consagram à Trindade com um amor virginal, como acima
falamos.
O celibato encontra aqui todo seu esplendor e realização. Repito: ele é o reflexo mais perfeito da paternidade da Trindade!
O celibato encontra aqui todo seu esplendor e realização. Repito: ele é o reflexo mais perfeito da paternidade da Trindade!


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