Centenário da Arquidiocese de Maceió

segunda-feira, 8 de abril de 2013

PATERNIDADE ESPIRITUAL


Jesus, certa feita, disse que não devíamos chamar ninguém de pai aqui na terra, – e isto por uma razão muito simples: “Pai só o é Deus primeiro, a fonte da vida originária, e os demais – todos os homens – são irmãos”. Desta reflexão surgem duas conclusões de longo alcance. A primeira é que todos nós somos irmãos, logo somos uma grande comunidade, que formamos a família da Trindade. E, como irmãos, devemos viver como o Pai deseja e nos ensina, conforme já vimos ao falar do amor ao próximo. A segunda conclusão é: se os homens não podem exercer a paternidade no sentido mais profundo da palavra, podem-no de outra maneira, isto é, como participantes da paternidade divina.

Na verdade, todos os cristãos são chamados a exercerem uma paternidade “aberta ao dom universal do Pai dos céus, que ama por Jesus” – todos os homens, especialmente os mais pobres e os mais necessitados. Com efeito, “pai ou mãe é aquele que sabe dar de si: gratuitamente oferece o que tem aos outros, oferece até sua essência mais profunda, porque quer que surjam, se desenvolvam outros seres livres, alegres, diferentes. Podemos afirmar que nos tornamos mais pessoa à medida que vamos amadurecendo neste aspecto: tornamo-nos donos da vida quando vamos dando nossa vida; oferecemo-la generosamente, a fim de que os outros possam ser, superem seus problemas, realizem-se, desenvolvam-se como humanos. Somente em intenso e exigente domínio pessoal podemos nos realizar como pais-mães: vencemos assim nosso egoísmo e nos tornamos capazes de entregar nossa existência, gratuitamente, sem procurar compensações. Nesta perspectiva começamos a cumprir a grande palavra: ‘sede misericordiosos (pais) como vosso Pai celestial é misericordioso’, cria, suscita e acompanha os pequenos, fazendo que eles sejam”. 

Nessa ótica, os consagrados ao Reino, que, por amor, decidiram viver uma vida celibatária, podem e devem realizar a paternidade divina de uma maneira bela e nova, porque não está misturada com nenhum resquício de amor próprio, de pura auto-realização: “Fizeram-se livres para contribuir desse modo à formação da grande família humana e eclesial à qual alude o evangelho ao dizer que Jesus e por Jesus podem encontrar o cem por um daqueles que deixaram”. Desse modo, os consagrados são o reflexo mais perfeito da paternidade de Deus. Esta é, sem dúvida, uma visão bela e fascinante do celibato dos que se consagram à Trindade com um amor virginal, como acima falamos. 

O celibato encontra aqui todo seu esplendor e realização. Repito: ele é o reflexo mais perfeito da paternidade da Trindade! 


 MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE
Doutor em Teologia
 


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