Centenário da Arquidiocese de Maceió

segunda-feira, 29 de abril de 2013

JESUS REVELADO NA NARRATIVA PASCAL


“A narrativa pascal assim como nos revela o Pai e o Espírito Santo, revela-nos igualmente a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho do Pai eterno. Na verdade,foi ele quem se entregou, por amor e por obediência ao Pai, para nossa salvação: “Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo quem vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20; cf. Ef 5,2.25). Foi o Filho quem verdadeiramente ressuscitou dentre os mortos ao terceiro dia após sua morte: “Ele lhes falou: Não vos assusteis! Estais procurando Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou; não está aqui. Vede o lugar em que o puseram” (Mc 16,6; cf. Mt 27,64; 28,67; Lc 24,6.34; 1 Ts 4,14). Foi também o Filho quem se mostrou vivo, após sua ressurreição: “Depois da paixão, apresentou-se vivo a eles, dando-lhes muitas provas, aparecendo durante quarenta dias e falando das coisas referentes ao reino de Deus” (At 1,3). 

Foi sob esta luz do relacionamento profundo e essencial entre o Pai e o Filho, que a Igreja nascente releu os títulos com os quais o próprio Jesus se denominara, usando alguns, relegando outros mais relacionados com a compreensão dos judeus.

“Assim é Jesus confessado: “Senhor, termo que a Bíblia grega dos Setenta usa para Adonai,indicativo do Deus de Israel (recorde-se a conclusão do hino de Fl 2,6-11: e toda língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor’); Cristo, título que declara, ao mesmo tempo, a qualidade teológica e soteriológica do ressuscitado de Deus,o seu ser em paridade com o Pai e nosso salvador (cf. Mc 1,1; Mt 1,1; Lc 2,11; Jo 20,31; At 2,36; 1Ts 1,1s; etc.); Filho de Deus, expressão que parece traduzir da maneira mais fiel a experiência filial do Nazareno, veiculada pelo Abba, e a sua condição pascal daquele que vive da vida do Pai edoador dessa mesma vida... 

Jesus é ainda confessado como a Palavra, o Verbo, termo que diz a plenitude escatológica da revelação e comunicação divina, feita presente na pessoa e na obra salvífica do Ressuscitado... Jesus é, depois, confessado como a imagem do Pai, expressão que torna a preexistência do Vivente e o seu ser no mundo a epifania do Deus invisível... Jesus é o poder e sabedoria de Deus, termos em que ecoa talvez a personificação veterotestamentária da Sabedoria (cf. 1Co 1,24 e Sb 7,25s ao qual se refere também Hb 1,3); Jesus é Deus, palavra normalmente reservada ao Pai no Novo Testamento”.

 MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE
Doutor em Teologia
 

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