Com a
devida licença do autor,
vamos transcrever aqui um texto do D. Bruno Forte, no qual o grande teólogo e
místico da Igreja atual, aponta-nos alguns traços do que é Jesus Cristo, em
quem pusemos e pomos nossa fé.
“A
narrativa pascal assim como nos revela o Pai e o Espírito Santo, revela-nos
igualmente a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho do Pai eterno. Na verdade, foi ele
quem se entregou, por amor e por obediência ao Pai, para nossa salvação: “Eu
vivo, mas já não sou eu, é Cristo quem vive em mim. Minha vida presente na
carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”
(Gl 2,20; cf. Ef 5,2.25). Foi o Filho quem verdadeiramente ressuscitou dentre
os mortos ao terceiro dia após sua morte: “Ele lhes falou: Não vos assusteis!
Estais procurando Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou; não
está aqui. Vede o lugar em que o puseram” (Mc 16,6; cf. Mt 27,64; 28,67; Lc
24,6.34; 1 Ts 4,14). Foi igualmente o Filho do Pai eterno, a segunda Pessoa da
Santíssima Trindade, quem infundiu sobre nós o Espírito divino: “Este Jesus,
Deus o ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. Exaltado pela direita
de Deus e recebida do Pai a promessa do Espírito Santo, o distribuiu conforme
vedes e ouvis” (At 2,32-33).
Foi
sob esta luz do relacionamento profundo entre o Pai e o Filho, que a Igreja nascente releu
os títulos com os quais o próprio Jesus se denominara, usando alguns, relegando
outros mais relacionados com a compreensão dos judeus. “Assim é Jesus
confessado: “Senhor, termo que a Bíblia grega dos Setenta usa para Adonai,
indicativo do Deus de Israel (Recorde-se a conclusão do hino de Fl 2,6-11: e
toda língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor’. Paulo emprega esse título ao
menos 85 vezes nas suas cartas, os Atos 16 vezes, a segunda carta de Pedro 8
vezes); Cristo, título que declara a qualidade teológica e soteriológica do
ressuscitado de Deus, o seu ser em paridade com o Pai e nosso salvador (cf. Mc
1,1; Mt 1,1; Lc 2,11; Jo 20,31; At 2,36, etc.).
Jesus é ainda confessado como a Palavra, o Verbo, termo que diz a plenitude escatológica da revelação e comunicação divina, feita presente na pessoa e na obra salvífica do Ressuscitado... Jesus é, depois, confessado como a imagem do Pai, expressão que torna a preexistência do Vivente e o seu ser no mundo a epifania do Deus invisível... Jesus é o poder e sabedoria de Deus, termos em que ecoa talvez a personificação veterotestamentária da Sabedoria divina (cf. 1Co 1,24 e Sb 7,25s); Jesus é Deus, palavra reservada ao Pai no Novo Testamento”.
Jesus é ainda confessado como a Palavra, o Verbo, termo que diz a plenitude escatológica da revelação e comunicação divina, feita presente na pessoa e na obra salvífica do Ressuscitado... Jesus é, depois, confessado como a imagem do Pai, expressão que torna a preexistência do Vivente e o seu ser no mundo a epifania do Deus invisível... Jesus é o poder e sabedoria de Deus, termos em que ecoa talvez a personificação veterotestamentária da Sabedoria divina (cf. 1Co 1,24 e Sb 7,25s); Jesus é Deus, palavra reservada ao Pai no Novo Testamento”.


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