Centenário da Arquidiocese de Maceió

segunda-feira, 18 de março de 2013

JESUS E O PAI

A escola em que devemos aprender a tratar nosso Pai celeste é a escola de Jesus. É vendo o seu relacionamento como Pai que vamos aprender a ser bons e autênticos filhos de Deus. Examinemos, pois, esse relacionamento de Jesus, para que ele seja a luz do nosso caminho de filhos do Pai eterno.

Jesus, na sua vida terrena, demonstrou profundo e grandíssimo amor filial a Deus, como seu Pai. Celina, irmã de Santa Teresinha, observa: “Quase todas as vezes que Jesus fala de Deus ou fala a Deus, ele o chama: Pai. ‘Pai’, ‘Meu Pai’, ‘O Pai’, ‘Vosso Pai’ ou ‘Teu Pai’. Só no discurso após a Ceia, capítulos 14-17 de São João, a palavra ‘Pai’ aparece 48 vezes.”

Não podemos esquecer que esse tratamento filial para com Deus causou muita repugnância e até escândalo entre os judeus, que, apesar de toda adoração a Javé, considerava-o sempre como o absolutamente outro, esquecido, talvez, da advertência de Jeremias: “Vós me chamareis ‘Meu Pai’, e não vos afastareis de mim.” (Jr 3,19) Jesus é chamado de blasfemo, porque se disse filho de Deus. Apesar disso, Jesus nunca se importou com a opinião dos judeus e não temeu a morte por se dizer filho do Pai eterno.

Ademais, justamente porque sabe ser seu filho predileto, conforme atestado do próprio Pai, Jesus prega a sua união perfeita e total com o Pai. União de essência: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30); união de presença: “... o Pai está em mim e eu no Pai” (Jo 10,38); união de ação: “As obras que faço em nome de meu Pai” (Jo 10,25); união de conhecimento: “Como o Pai me conhece e eu conheço o Pai” (Jo 10,15); união de origem: “Sabendo que o Pai tudo colocara em suas mãos e que ele viera de Deus e a Deus voltava” (Jo 13,3); união de glória: “Pai, chegou a hora, glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique” (Jo17,1); união de missão: “Quem me vê, vê aquele que me enviou” (Jo 12,45); união de palavra: “Mas o Pai, que me enviou, me prescreveu o que dizer e de que falar” (Jo 12,49); união na incompreensão: “...mas eles viram e nos odeiam a mim e ao Pai” (Jo15,24); união de fim: “Saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai” (Jo 16,28); união de vontade: “Eis que eu vim para fazer a tua vontade” (Hb 19,9), mesmo que possa haver um choque de vontade: “Meu Pai, se é possível , que passe de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu quereres” (Mt 26,39); união de amor: “Por isso, o Pai me ama... mas o mundo saberá que amo o Pai e faço como o Pai me ordenou” (Jo 10,17; 14,31). 

 MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE
Doutor em Teologia
 

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