O jejum e a abstinência são práticas
muito comuns no período da Quaresma. A Igreja recomenda que os fiéis as façam
especialmente durante este tempo litúrgico, mas também no decorrer do ano.
De acordo com
o Código de Direito Canônico -
livro das leis que orienta a Igreja Católica - o jejum é a "forma de
penitência que consiste na privação de alimentos". Para tal prática, a
orientação tradicional é que se faça apenas uma refeição completa durante o dia
e, caso haja necessidade, pode-se tomar duas outras pequenas refeições, que não
sejam iguais em quantidade à habitual.
Pelas
orientações da Igreja, estão obrigados ao jejum os que tiverem completado 18
anos até os 59 completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e
doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo
trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum.
De acordo com
padre Roger Araújo, sacerdote da Comunidade Canção Nova, um cristão que jejua
dá primazia aos valores espirituais. "É uma forma de oração por
excelência, considerando que Jesus diz: 'certos demônios somente são expulsos
pela oração e o jejum' (Mt 17, 20)".
Abstinência
Abstinência
Sobre a
abstinência, o Direito Canônico diz que "consiste na escolha de uma
alimentação simples e pobre". Segundo o documento, a tradição da Igreja
indica a abstenção de carne, pelo menos nas sextas-feiras da Quaresma.
"Mas poderá ser substituída pela privação de outros alimentos e bebidas,
sobretudo os mais requintados e dispendiosos [caros] ou da especial preferência
de cada um", orienta o documento.
A obrigação da
abstinência começa aos 14 anos e se prolonga por toda a vida. Grávidas que
necessitem de maior nutrição e doentes que, por conselho médico, precisam comer
carne, estão dispensados da abstinência, bem como os pobres que recebem carne
por esmola.
Semana Santa
Semana Santa
Conforme as
orientações da Igreja, o jejum e a abstinência são obrigatórios na Quarta-feira
de Cinzas e na Sexta-feira Santa.
De acordo com
padre Roger, a opção pela abstinência de carne é devido ao seu consumo comum
pela maioria das pessoas. "Espiritualmente, a abstinência de carne é uma
forma de união a Cristo que vive sua Paixão. Pode ser também uma maneira
mística de olhar a carne de Cristo pregada na Cruz e Seu Sangue derramado pela
humanidade".
Segundo o
sacerdote, na Sexta-feira Santa é importante que se faça uma alimentação
sóbria. "Não é dia de banquete, diz o padre, é dia de mantermos a
sobriedade espiritual - e aí vale para os alimentos - para nos unirmos ao
Senhor em sua Paixão. É importante que neste dia se faça apenas uma refeição e
que esta seja sóbria."
O padre
explica que o jejum e a abstinência devem estar alinhados à busca do amor ao
próximo e a Deus. “Jejum não é um regime ou uma dieta, é uma prática
espiritual. É uma forma de nos unirmos a Deus na oração e na penitência. Ele
também deve ser uma forma de superarmos o ressentimento, as mágoas, e sobretudo
cuidarmos do outro que precisa de nós."
Fonte: Canção Nova

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