FILHOS DO PAI CELESTE?
Professamos sempre que cremos em Deus Pai. Já vimos quem é esse Pai celeste, agora resta-nos saber se somos de fato filhos dele. Na Bíblia, São João nos diz: “Considerai com que amor nos amou o Pai, para sermos chamados filhos de Deus. E de fato o somos. Por isso o mundo não nos conhece. É que não o conheceu também. Caríssimos, agora somos filhos de Deus, embora ainda não se haja manifestado o que havemos de ser.” (1 Jo 3,1-2) Nós somos filhos de Deus, eis aí a grande revelação. E o somos de fato, embora ainda não tenhamos possibilidade de explorar toda a extensão e profundidade dessa grande honra e glória. Todavia, é preciso, já agora, descobrir e viver o significado desse título: filho de Deus!Na verdade, não poderíamos acreditar em tal privilégio, se ele não nos tivesse sido revelado. Foi porque se declarou Filho de Deus, que Jesus foi condenado pelos judeus, que o julgaram como blasfemador. Na verdade, é mais fácil aceitar que Jesus seja o Filho unigênito do Pai, do que acreditar que, por ele, recebemos tal dignidade. Todavia, João nos assegura com clareza: “Mas a todos que o receberam, deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que creem em seu nome.” (Jo 1,12)É evidente que somos filhos de Deus pela graça divina. Somos filhos adotivos; filhos por participação na filiação de Jesus. Em suma, recebendo o Espírito de Deus na hora do batismo, tornamo-nos participantes da natureza divina: “Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.” (Rm 8,14) E São Paulo, de imediato, analisa o sentido e as consequências dessa filiação divina: “Com efeito, não recebestes um espírito de escravos, para recair no temor, mas recebestes um espírito de filhos adotivos, pelo qual clamamos: Abba! Pai! O próprio Espírito se une ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus. E, se somos filhos, somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, pois sofremos com ele parta também com ele sermos glorificados.” (Rm 8,15-17)Foi, portanto, pela fé que nos tornamos filhos de Deus e, por essa filiação, estamos libertados do pecado, isto é, livres de tudo e submissos só à graça de Deus, ao amor de Deus. Somos, pois, livres filhos de Deus, ligados apenas ao nosso Pai por Jesus no seu Espírito Santo. Esta é nossa glória, a nossa libertação de tudo, para sermos livres pelo amor: “De fato, a criação foi submetida à vaidade - não por seu querer, mas por vontade daquele que a submeteu - na esperança de ela também ser liberta da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus.” (Rm 8,20-21)
MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE
Doutor em Teologia
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