Centenário da Arquidiocese de Maceió

domingo, 17 de fevereiro de 2013

FÉ E RAZÃO

Aos 11 de outubro de 2011, o querido Papa Bento XVI enviou ao mundo católico uma Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio, intitulada de Porta Fidei. Nesta carta, sua Santidade anunciou a promulgação do Ano da Fé, que teve início no dia 11 de outubro de 2012, ano do cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II e dos 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, e que deverá ser encerrado aos 24 de novembro de 2913, na solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

Nessa Carta, Bento XVI insiste em dois pontos básicos, a saber, a vivência, autêntica e verdadeira da fé neste mundo quase ateu e o aprofundamento dos princípios básicos dessa mesma fé, que hoje são desconhecidos até mesmo pelos católicos. Eis por que a leitura e o estudo das bases racionais da nossa fé tornou-se uma urgência para todos nós. 

Pois bem, referindo-se à chamada racionalidade da fé, o Catecismo da Igreja Católica diz claramente: “O ato de fé só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Mas não é menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade nem à inteligência dohomem confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas. Mesmo nas relações humanas, não é contrário à nossa própria dignidade acreditar no que outras pessoas nos dizem acerca de si próprias e das suas intenções, e confiar nas suas promessas... Por isso, é ainda menos contrário à nossa dignidade “prestar, pela fé, submissão plena da nossa inteligência e da nossa vontade a Deus revelador”. Continua o Catecismo: “Na fé, a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina: “Credere est actus intellectus assentientis veritati divinae ex imperio voluntatis, a Deo motae per gratiam”. E ainda acrescenta o Catecismo: “É inerente à fé o desejo do crente de conhecer melhor Aquele em quem acreditou, e de compreender melhor o que Ele revelou”. E falando diretamente sobre a fé e a razão, o Catecismo assegura: “Muito embora a fé esteja acima da razão, nunca pode haver verdadeiro desacordo entre ambas: o mesmo Deus, que revela os mistérios e comunica a fé, também acendeu no espírito humano a luz da razão”.

O magistério eclesiástico sempre tratou, com seriedade e profundidade, a temática do relacionamento da fé com a razão. E para falar sobre esse tema, não é preciso ir longe, fazer muitas pesquisas, estudar e ler muitos livros, pois todo ele está condensado na Carta Encíclica Fides et Ratio, do Sumo Pontífice, Beato João Paulo II, de 14 de setembro de 1998. 

 MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE
Doutor em Teologia
 

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