Centenário da Arquidiocese de Maceió

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

CREIO EM DEUS PAI

Estamos no ano da fé por isso precisamos de conhecer bem o nosso Credo. E quando rezamos o Credo, começamos a oração, declarando nossa fé na primeira Pessoa da Santíssima Trindade, que é o Pai. Mas, será que sabemos quem é esse Pai? 

Li e achei que seria muito proveitosa para meus leitores esta belíssima página de Dom Bruno Forte, pois ela sintetiza a essência do nosso Pai divino.

“Em primeiro lugar, a partir do fato de que na economia divina cabe sempre ao Pai a iniciativa do amor, patenteou-se que o amor do Pai era o amor de manancial, de fonte: o Pai é o princípio, a fonte e a origem da vida divina. Confessamos que o Pai não é gerado, não criado, mas é “ingerado". Ele, com efeito, de quem o Filho recebe o nascimento e o Espírito Santo a processão, não tem de ninguém a origem.

Ele é, portanto, a fonte e a origem de toda a divindade ( XI Concílio Toledo (675): DS 525). O Pai é o "não-gerado, o agénneton" (Orígenes, In Joan. II, 10,75): para os Padres capadócios o "não ser gerado", o "não ter origem", é a propriedade característica do Pai: "Nós conhecemos só um não gerado e umúnico princípio de todas as coisas: o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo’"(São Basílio, Epist. 128,3). Agostinho chama o Pai “totius Trinitatis principium" (De Trinitate, 4,20,29). Tomás de Aquino vê na inacessibilidade uma noção própria do Pai (S. Th. I, q.32, a. 3c) e, por ser o Pai aquele do qual outro procede, afirma que "o Pai é princípio" (Ib., q.33, a.1). 

Esta rica linguagem da tradição da fé veicula a absoluta liberdade e gratuidade do amor do Pai: "Só ele pode provocar, deflagrar o evento do amor, porque só ele pode começar sem motivo a amar, antes começou desde sempre a amar" (E. Jüngel, Dio, mistero del mondo, p. 426). Deus ama desde sempre e para sempre: sem ser necessitado ou causado ou motivado de fora, começou ele no eterno a amar; ele ama e continuará a amar para sempre. 

À sua fidelidade no amor ele jamais faltará (cf. Sl 89,34; cf. também o tema da fidelidade de Deus em Rm 3,3; 1 Cor 1.9; 10,13; 2 Cor 1,18; 1Ts 5,24; 2 Ts 3,3; etc). O seu amor "não precisa em absoluto de nada que do exterior o ponha em movimento" (A. Nygren, Eros und Agape. Gestalwandlungen der christilichen Liebe, vol. II, 2ª ed., Gütersloh, 1937, p.551); por isso pode falar da absoluta "espontaneidade", da "soberania da inexaurível criatividade" do amor divino. O Pai é a eterna proveniência do amor, aquele que ama na absoluta liberdade, desde sempre e para sempre livre no amor, o eterno Amante na mais pura gratuidade do amor”. 

 MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE
Doutor em Teologia
 

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