Centenário da Arquidiocese de Maceió

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

FÉ E ESPERANÇA


A Carta aos Hebreus tem uma capítulo inteiro sobre a fé. É o capítulo onze. E, logo no início, assim se expressa o autor sagrado: “ A fé é a garantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que não se veem” (Heb 11,1)

Partindo dessa conceituação da fé, o hagiógrafo relembra muitos fatos narrados na Antigo Testamento, baseados na fé. Com efeito, escreve ele: “ Foi por ela que os antigos foram aprovados. Pela fé sabemos que o mundo foi organizado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê provém de coisas não visíveis (Hb 1,2) Ainda partindo da mesma conceituação teológica, o autor passa em revista certas atitudes de pessoas ilustres, de patriarcas famosos que agiram, mesmo sem conhecimentos profundos de teologia, segundo a fé, o que é muito mais importante.

Assim, assim são lembrados Abel, Henoc, Noé, Abraão e Sara. É verdade que eles não desfrutaram “ a realização das promessas”, mas “ morreram firmes na fé” (Heb 11,11) E São Paulo explica que, ao se julgarem estrangeiros, eles se referiam à pátria celeste, porque para a pátria terrestre, que eles tinham deixado, podiam muito bem regressar para lá. Na verdade, acrescenta o apóstolo, eles desejam uma pátria melhor, a pátria celeste, e é por isso que Deus “ não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus, pois até preparou uma cidade para eles” (Heb 11,14-16)

A fé, pois, está ligada à esperança, a esperança da vida eterna. Num mundo corrompido como o nosso é praticamente impossível viver em paz sem fé e é outrossim impossível praticamente viver na fé sem a esperança. A esperança é como que a consequência de fé. Eu creio, por isso espero. Eu espero, porque creio. Mas as virtudes teologais não ficam apenas na fé e na esperança, pois existe a maior de todas, que é a caridade. Só assim, como veremos, é que, completada a tríade teologal, o cristão vive realmente sua crença, o caminho apontado e traçado por Jesus, em direção à casa do Pai, para onde devemos marchar, iluminados pelo Espírito Santo, que nos guiará pelos virtudes teologais.

 
MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE
Doutor em Teologia
  

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