Centenário da Arquidiocese de Maceió

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O HUMANISMO NOS SANTOS


Lendo a vida dos santos, ou ouvindo certas narrações de suas vidas, ficamos com a impressão de que eles viveram uma vida fora da nossa realidade, ou seja, viveram mais espiritualmente do que como pessoas humanas comuns. 

Os milagres, os êxtases, as revelações, tudo isso nos leva a pensar que os santos não sentiram o peso e a fraqueza da carne e, consequentemente, não tiveram tentações, não se sentiram, muitas vezes, atraídos para o mal, não tiveram sentimentos, vários e variados, de amor, de raiva, da vaidade, de orgulho.

Mas, lendo, devagar e com cuidado, a vida dos santos e, sobretudo, conhecendo-os pessoalmente, descobrimos que os santos, mesmo os mais famosos, como Paulo, João da Cruz, Teresa de Jesus e Teresinha de Lisieux, passaram por momentos difíceis e tiveram de enfrentar muitas dificuldades provenientes tanto de suas fraquezas e limites, quanto de outras pessoas, ou mesmo de circunstâncias adversas, com incompreensões, perseguições, calúnias e maus tratos. 

Como toda e qualquer criatura humana, os santos viveram os altos e baixos da infância, da adolescência, da idade avançada, com suas enfermidades e suas variadas crises.

Paulo de Tarso é um exemplo claro de tudo isso. Seu temperamento fogoso e forte, suas reações diante de certas situações, fizeram-no passar por profundas tristezas, grandes alegrias, perigos de toda a espécie e tudo isso provocou no próprio Paulo uma mudança profunda no seu temperamento e na sua espiritualidade.

Francisco de Assis, quando foi tocado pelo chamamento de Cristo, entrou em parafuso, porque teve de deixar seu antigo modo de viver e começar uma vida totalmente nova segundo o Evangelho. A parte humana de Francisco sofreu profundamente, quase adoeceu e foi tido por muitos como um louco. 

Teresa de Jesus não só enfrentou os preconceitos do seu tempo contra amulher, mas também sentiu em si mesma muitos problemas humanos, provocados sobretudo pela incompreensão até mesmo de seus irmãos e irmãs.

Em síntese, os santos foram criaturas humanas normais que, como nós, tiveram de enfrentar e superar as dificuldades, que o pecado provoca em todos nós. Sentiram tristeza, alegria, desânimo, coragem, em suma, foram humanos como nós. Isso nos anima e nos dá coragem para seguir o Cristo, apesar de todas nossas debilidades e limites. 

 
MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE
Doutor em Teologia
  

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