Lendo a vida dos santos, ou ouvindo certas
narrações de suas vidas, ficamos com a impressão de que eles viveram uma vida
fora da nossa realidade, ou seja, viveram mais espiritualmente do que como
pessoas humanas comuns. Mas, lendo, devagar e com cuidado, a vida dos santos e, sobretudo, conhecendo-os pessoalmente, descobrimos que os santos, mesmo os mais famosos, como Paulo, João da Cruz, Teresa de Jesus e Teresinha de Lisieux, passaram por momentos difíceis e tiveram de enfrentar muitas dificuldades provenientes tanto de suas fraquezas e limites, quanto de outras pessoas, ou mesmo de circunstâncias adversas, com incompreensões, perseguições, calúnias e maus tratos.
Como toda e qualquer criatura humana, os santos viveram os altos e baixos da infância, da adolescência, da idade avançada, com suas enfermidades e suas variadas crises.
Paulo de Tarso é um exemplo claro de tudo isso. Seu temperamento fogoso e forte, suas reações diante de certas situações, fizeram-no passar por profundas tristezas, grandes alegrias, perigos de toda a espécie e tudo isso provocou no próprio Paulo uma mudança profunda no seu temperamento e na sua espiritualidade.
Francisco de Assis, quando foi tocado pelo chamamento de Cristo, entrou em parafuso, porque teve de deixar seu antigo modo de viver e começar uma vida totalmente nova segundo o Evangelho. A parte humana de Francisco sofreu profundamente, quase adoeceu e foi tido por muitos como um louco.
Em síntese, os santos foram criaturas humanas normais que, como nós, tiveram de enfrentar e superar as dificuldades, que o pecado provoca em todos nós. Sentiram tristeza, alegria, desânimo, coragem, em suma, foram humanos como nós. Isso nos anima e nos dá coragem para seguir o Cristo, apesar de todas nossas debilidades e limites.
Doutor em Teologia

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