Centenário da Arquidiocese de Maceió

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

FÉ E SOFRIMENTO


Sabemos que a fé é um dom, que ela é uma virtude teologal, que ela precisa de ser alimentada pelo estudo e pela oração. Sabemos tudo isso e mais alguma coisa, mas o mais importante de tudo de que precisamos saber sobre a fé é que é necessário vivê-la.

O Santo Padre proclamou o ano da fé, que começou no dia 11 de outubro passado, recordando o Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica, que apareceu em 1993, quando era Papa, João Paulo II.

Durante este ano da fé, a Igreja católica fará de tudo para que seus fiéis aprendam mais os princípios básicos da sua fé, ou seja, que o católico saiba realmente o que faz parte da sua crença, que ele conheça as linhas mestras da sua fé, que ele saiba responder, como diz São Pedro àqueles que os interrogarem respeito da sua esperança (1 Pe.3,15). 

Todavia, o maior esforço da Igreja deverá se concentrar sobre colocar em prática  essa mesma fé. pois, com efeito, domo disse são Tiago, a fé sem obrasé morta. (Ti 2,17 )

Um dos pontos básicos dessa vivência da fé está no saber sofrer com fé e pela fé. 

O profeta Isaías nos fala que o servo sofredor foi levado ao matadouro para espiar as faltas de muitos (Is 53,10 ). Por sua vez, o autor da Carta aos hebreus declara que todos os que sofrerem com Cristo, com Ele ressuscitarão para a glória da casa do Pai (Heb 4,14-16 )

Todavia, como Tiago e João (Mc 10, 35-37) muitos discípulos de Jesus, estão unicamente preocupados com os primeiros lugares do reino de Reino. A cruz, isto é, o sofrimento parece algo estranho à vida do cristão. 

A maior preocupação de muitos cristãos é viver bem, é viver sem dor, é não sofrer nada. Se, por acaso, tenhamos de sofrer, ou sofremos revoltados, ou sofremos sem nenhuma ligação com a cruz de Cristo ou sem nenhuma visão da vida eterna. Ora, embora Deus não seja masoquista, é preciso não esquecer de que a salvação só acontece com a cruz e pela cruz.

Essa é a nossa fé e, na prática, essa fé esta muito longe de ser vivida. 

 
MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE
Doutor em Teologia
  

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