Vocês certamente já observaram que, quando um assaltante, um assassino ou um ladrão é preso, em geral, ele procura esconder o rosto e fica manso, quando está algemado. É que nós geralmente não temos vergonha de fazer o mal, o errado, o pecado, mas não queremos que nos reconheçam como malfeitores. Por isso, é costume negar ou esconder as coisas erradas que fazemos.
Mas, na verdade deveríamos ter vergonha de fazer o mal. O cristãos, por exemplo, deveriam ter vergonha de pecar. É certo que Deus é misericórdia e que nos perdoa tantas vezes quantas lhe pedimos perdão, mas isto não pode ser motivo para pecar.
O pecado é uma ruptura do amor de Deus; é um corte da aliança amorosa com nosso Senhor e Deus. Isto é que deveria nos causar vergonha. Diante da bondade infinita de Deus, nosso coração, muitas vezes, é ingrato. Ter vergonha de ter pecado é bom e salutar, mas não devemos ter vergonha de reconhecermo-nos pecadores e, muito menos, de confessar os nossos pecados.
Às vezes, contamos algumas das nossas falhas a uma pessoa amiga e não temos vergonha, por que teríamos vergonha de contar nossas faltas a um sacerdote, que está no confessionário, em nome de Deus? Ademais, uma confissão feita com humildade e simplicidade, traz-nos paz e alegria. Muitas vezes algumas pessoas se sentem aliviadas após uma boa confissão, justamente porque sabem que Deus as perdoou de tudo e que voltaram à aliança amorosa com o seu Senhor.
A confissão é o sacramento da reconciliação do amor da criatura com seu Deus, portanto não deve causar medo, mas ser procurada como um instrumento de paz e de alegria.
MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE
Doutor em Teologia


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