Centenário da Arquidiocese de Maceió

domingo, 14 de maio de 2017

Homilia Dominical


Homilia do 5º Domingo da Páscoa 
Pe. Luiz Carlos de Oliveira
Missionário Redentorista
“Vós sois uma nação santa”

Muitas moradas
            No correr destes domingos pascais os evangelistas vão desenhando a figura da comunidade à luz da Ressurreição de Jesus. Em poucas palavras, resumem anos de crescimento, inventiva apostólica e respostas às grandes questões em que a comunidade se colocava. Como não tinham o texto dos evangelhos e cartas, os cristãos lembravam as palavras de Jesus e, em torno delas, construíam as orientações, pois eram assíduos aos ensinamentos dos apóstolos, às reuniões em comum, à fração do pão e às orações (At 2,42). Eram um evangelho vivo. A comunidade acaba sendo como que um espelho da vida futura.
Jesus diz que há lugar para todos no céu. Este lugar é cuidadosamente preparado por Ele. O jeito de chegar lá é estar unido a Ele que é o caminho a verdade e a vida (Jo 14,6). Ele é a estrada e o espelho do Pai. Quem O vê, vê o Pai. Estar unido a Cristo pela fé é fazer este caminho, realizar esta verdade e viver esta vida. Deste modo o fiel participa da vida de Cristo e faz o que Ele fazia e faz mais ainda, pois Jesus, junto do Pai é a vida do discípulo que acreditou (Jo 14,12).
Comunidade que cresce
            Mas esta comunidade tem que se organizar na situação em que vive. Os discípulos, interpretando a missão que Jesus lhes dera, instituem os diáconos para o serviço da comunidade. Comunidade sem serviços é fantasia. A fé se encarna no mundo em que vivem os discípulos. Ela é social, encarnada e transformadora. Fé que não olha em volta, não vê Deus. Fé só de princípios sem prática é murcha, não produz (Tg 2,17). É muito perigoso explicar a santidade da Igreja tirando-a da realidade. Isso é o que chamamos de espiritualismo. É o típico modo egoísta de viver a fé. Penso em mim, e os outros que se danem. Isso não é o modo de vida de Jesus. Ele é o espelho. Devemos caminhar como caminhou, diz S. João. Esse espiritualismo está presente em muitos modos de organizar a vida da comunidade e das muitas espiritualidades, movimento e outros que têm pululado no terreiro da Igreja. Tirar a fé da realidade é negar a encarnação e vida de Jesus. Ele seguiu seu povo, mas foi capaz de apresentar uma renovação para que a fé não fosse só regras, mas fonte de vida. Por isso são necessários os diversos serviços que se organizam. Esses não são eternos. Podem sofrer mudanças, adaptações e até surgirem novos serviços.
Santa e pecadora
            Contudo esta comunidade é santa, pois está fundada em Cristo e unida, como pedras vivas, formando o edifício espiritual. Ela presta culto a Deus. É sacerdotal. Por estar unida a Cristo e aos outros irmãos, é santa. O povo de Deus é santo. O santo não é aquele que não erra, mas porque erra, pode crescer e produzir frutos de conversão. A Prece Eucarística V diz: “Igreja é santa e pecadora”. Santa, enquanto de Deus; pecadora, enquanto marcada pelo pecado e em condições de crescer sempre mais. Pecadora porque erra ao viver a fé misturada com a mentalidade do mundo. Pedro diz em sua carta: “Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra” (1Pd 2,8). Todos os fiéis são chamados à santidade. Cada um a seu modo e na sua condição de trabalho, estado civil, idade e sabedoria. Deus quer que todos sejam santos. Para isso abre-nos o caminho através de Cristo, mas em comunidade, como pedras vivas do edifício espiritual. Essa santidade também deve sair de nossos conceitos exclusivistas, como só nós tivéssemos a receita. Mas há muita santidade que não tem nosso carimbo, mas tem a marca de Jesus. Onde existe o amor aí Deus está.
Leituras: Atos 6,1-; Salmo 32; 1Pedro 2,4-9;João 14,1-12
Ficha nº1648 – Homilia do 5º Domingo da Páscoa (14.05.17)
  1. Após a Ressurreição de Jesus os discípulos se reúnem em comunidade para ouvir a palavra, rezar, celebrar a Eucaristia (partir o pão) e confraternizar.

  1. Para o desenvolvimento da comunidade criam-se serviços que devem sempre estar em evolução.

  1. A Igreja é santa da parte de Deus e pecadora da parte humana. Deve sempre se converter.

Caminho sem atalho

            Jesus foi para o Céu e logo recebeu um servicinho: preparar um lugar para nós. Ele quer que estejamos com Ele. E prometeu, que assim que arrumar lugar vem nos buscar.
            Como é que vai nos levar? Pelo caminho. Não conhecemos o caminho, disse o apóstolo Tomé. Jesus é claro: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Quem O segue pela Verdade vai ter a Vida. E afirma: não há outro caminho para ir ao Pai senão Ele.
            Somos como um edifício que O tem como alicerce. Somos Pedras vivas, que unidas formam o edifício espiritual. Quem não crê Nele tropeça e cai. Quem O aceita é raça escolhida, sacerdócio do Reino e nação santa.
            Essa comunidade espiritual também tem necessidades humanas que devem ser resolvidas pela comunidade. É o que vemos na escolha dos diáconos para uma solução do atendimento aos pobres.
Fonte - http://www.a12.com/santuario-nacional/santuario-virtual/liturgia-diaria/14/05/2017

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